O Brasil é um país com grande diversidade e por isso com uma incomensurável riqueza de rítmos, sons e culturas musicais. No entanto, pelo fato de ter sido por muito tempo a capital do país, a cidade do Rio de Janeiro concentrou a expressão musical brasileira e foi sua síntese e porta de saída para o exterior. Hoje, com o processo de globalização, outros estilos musicais brasileiros se fazem presentes fora do país vindos de outros centros culturais nacionais, mas as raíses da bossa nova tem a ver com o Rio de Janeiro e com a visibilidade externa que a cidade teve durante muito tempo como vitrine do Brasil.
Desde o final do século XIX, a música tocada no Rio de Janeiro já dava prova da sua criatividade. Os maxixes, polkas e lundus de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazaré, Joaquim Antônio Callado, Manuel Aranha Correa do Lago e Antônio José dos Santos, para citar alguns nomes, já esquentavam o ambiente dos cafés e levantavam a poeira dos salões de dança cariocas, quando os lampiões a gás ainda iluminavam suas ruas e as discussões entre monarquistas e republicanos esquentavam o ambiente político do país.
Depois, já perto dos anos 1930, veio o choro e o samba, importado da Bahia. Este último de pés descalços, invadiu progressivamente com seu balanço e melodia, as casas de classe média através das primeiras ondas de rádio que reproduziam os chiados dos pratos de galalite de 78 rotações. Com letras mais relacionadas ao cotidiano do que outros estilos, o samba se integrou ao dia a dia da classe trabalhadora e às emoções dos lares urbanos brasileiros. Tantos são os nomes que acamos sendo injustos quando nomeamos: Donga, Noel Rosa, Ary Barroso, Lamartine Babo, Pixinguinha, Dorival Caymmi, Adoniran Barbosa, Cartola, Moreira da Silva, atravessando épocas e chegando a Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho, porque o samba ainda não morreu.
Misturavam-se a estes estilos as modinhas e o samba-canção. Este último, mais lento e romântico, criava, nos anos 1940, ambientes hollywoodianos nas chanchadas cinematográficas produzidas nos estúdios da Cinédia. Nesta época, a música brasileira já se fazia conhecer no exterior através das interpretações de alguns compositores nacionais na voz de Carmen Miranda e do Bando da Lua, que em 1939 embarcam para um musical da Broadway. Assumindo vários compromissos no cinema e no show business, a cantora nunca mais voltou ao Brasil, falecendo em 1955.
Desde o final do século XIX, a música tocada no Rio de Janeiro já dava prova da sua criatividade. Os maxixes, polkas e lundus de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazaré, Joaquim Antônio Callado, Manuel Aranha Correa do Lago e Antônio José dos Santos, para citar alguns nomes, já esquentavam o ambiente dos cafés e levantavam a poeira dos salões de dança cariocas, quando os lampiões a gás ainda iluminavam suas ruas e as discussões entre monarquistas e republicanos esquentavam o ambiente político do país.
Depois, já perto dos anos 1930, veio o choro e o samba, importado da Bahia. Este último de pés descalços, invadiu progressivamente com seu balanço e melodia, as casas de classe média através das primeiras ondas de rádio que reproduziam os chiados dos pratos de galalite de 78 rotações. Com letras mais relacionadas ao cotidiano do que outros estilos, o samba se integrou ao dia a dia da classe trabalhadora e às emoções dos lares urbanos brasileiros. Tantos são os nomes que acamos sendo injustos quando nomeamos: Donga, Noel Rosa, Ary Barroso, Lamartine Babo, Pixinguinha, Dorival Caymmi, Adoniran Barbosa, Cartola, Moreira da Silva, atravessando épocas e chegando a Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Zeca Pagodinho, porque o samba ainda não morreu.
Misturavam-se a estes estilos as modinhas e o samba-canção. Este último, mais lento e romântico, criava, nos anos 1940, ambientes hollywoodianos nas chanchadas cinematográficas produzidas nos estúdios da Cinédia. Nesta época, a música brasileira já se fazia conhecer no exterior através das interpretações de alguns compositores nacionais na voz de Carmen Miranda e do Bando da Lua, que em 1939 embarcam para um musical da Broadway. Assumindo vários compromissos no cinema e no show business, a cantora nunca mais voltou ao Brasil, falecendo em 1955.
O Bando da Lua, formado em 1931 no Rio de Janeiro, foi o primeiro conjunto vocal e instrumental no Brasil a harmonizar as vozes, seguindo a moda da época nos Estados Unidos, e com isso criou uma mania nacional. Gravaram vários discos com músicas de carnaval nos anos 30 (38 entre 1931 e 1940) e começaram a tocar com Carmen Miranda ainda nos anos 30. Nos Estados Unidos, fizeram oito filmes e diversos espetáculos com Carmen Miranda. Em 1944 o grupo se desfaz, sendo reformulado por Aloysio de Oliveira, quatro anos depois, com os "dissidentes" dos Anjos do Inferno, e passando a ser formado por Aloysio de Oliveira, violão e voz; Lulu, violão; Vadeco, pandeiro; Nestor Amaral, violão tenor e banjo; Harry Vasco de Almeida, percussão e flauta (piston); Armando Osório, violão, e Stênio Osório, cavaquinho. A partir daí a ênfase maior é dada ao repertório vocal norte-americano e a canções brasileiras cantadas em inglês. A dissolução final acontece em 1955, com a morte de Carmen Miranda
A música brasileira sempre foi cheia de bossa. Então porque a Bossa Nova fez diferença? Podemos dizer que por sua criatividade, harmonia e bons padrinhos. A criatividade vem da raíz da própria música brasileira que se acumula de fins do século XIX até a década dos 1950. A Bossa Nova simplesmente utiliza esta herança com uma nova harmonia e com um rítmo particular. A harmonia da bossa nova é compatível com a harmonia do Jazz e portanto, não existem muitas barreiras para passar do Jazz para a Bossa e voltar ao Jazz. Os padrinhos foram, por um lado, os americanos que conheceram a música brasileira nos filmes e discos produzidos por Carmen Miranda, o Bando da Lua e outros. Por outro lado, estavam também os brasileiros que, vivendo nos Estados Unidos, vislumbraram o grande mercado que a Bossa Nova representaria para o futuro musical conjunto dos dois países. Entre eles, pode-se dizer que o pioneiro dos padrinhos foi o próprio Aloysio de Oliveira, do Bando da Lua.
Aloysio de Oliveira nasceu numa familia carioca de classe média. Formado como dentista, nunca exerceu a profissão. Sua paixão era a música. Quando integrou o Bando da Lua em 1929, ainda adolescente, já sabia que seu futuro viria da música popular brasileira. Sua primeira e longa estadia nos Estados Unidos (1939-1956) não se restringiu à relação com Carmen Miranda, com quem teve un affair, e à direção do Bando da Lua. Trabalhou como narrador de documentários e dublador de desenhos animados (incluindo personagens como Capitão Gancho, do filme Peter Pan, e Zé Carioca, que, segundo dizem, foi criado conjuntamente por ele e Walt Disney). Construiu relações sólidas com o meio empresarial e artístico norte-americano, incluindo os donos de gravadoras que passavam a ser as multi-nacionais da música mundial. Mas nunca deixou de acompanhar e se integrar na evolução da música popular brasileira.
Ao voltar para o Brasil em 1956, após a morte de Carmen Miranda, atuou como diretor artístico de gravadoras internacionais como a Odeon e a Philips até fundar sua própria gravadora, a Elenco, em 1963, responsável por parte relevante da produção artística da Bossa Nova no Brasil. Em 1959, lançou o LP Chega de Saudade, de João Gilberto: o grande marco do gênero. Introduziu no mercado fonográfico vários compositores e artistas como Silvinha Teles (com quem casou), Edu Lôbo, Nara Leão, Nana Caymmi e Vinicius de Morais (como cantor). Albuns clássicos da Bossa Nova como “Vincius & Odete Lara”, “Caymmi Visita Tom”, “Vincius & Caymmi no Zum Zum”, “Edu & Bethânia”, “Maysa” (ao vivo no Au Bon Gourmet) foram produzidos pela Elenco sob sua direção.
Além de sua atividade empresarial, Aloysio manteve atividades artisticas como cantor, junto a Aurora Miranda e Vadeco na Rádio Mayrink Veiga, ainda nos anos cinquenta, e como compositor, nos anos sessenta, com canções célebres em parceria com Tom Jobim, como “Dindi”, “Só Tinha de Ser com Você”, “Inútil Paisagem”, “Eu Preciso de Você”, entre outras.
Embora não existam registros dos detalhes[1], o papel de Aloysio de Oliveira, com os contactos que tinha na industria do show-business e de gravação norte-americana foi fundamental na difusão da bossa nova nos Estados Unidos. Em 1968, quando a Elenco foi extinta, Aloysio voltou aos EUA, onde produziu vários discos de artistas brasileiros pela Warner.
Ao voltar ao Brasil em 1972, atuou como produtor musical em diversas gravadoras, como Odeon, RCA Victor e Som Livre, mas sempre serviu de ponte na difusão de artistas brasileiros nos Estados Unidos. Nos últimos anos de sua vida mudou-se para Los Angeles, onde morreu em 1995, aos 80 anos.
O Bando da Lua e Aloysio de Oliveira contam uma parte relevante da historia da difusão da bossa nova e da música brasileira nos Estados Unidos. Mas não explicam quais foram as cadeias de transmissão desse processo nos Estados Unidos e o enraizamento progressivo da bossa nova naquele país. É o que tentaremos investigar e contar para vocês nas próximas estórias.
Aloysio de Oliveira nasceu numa familia carioca de classe média. Formado como dentista, nunca exerceu a profissão. Sua paixão era a música. Quando integrou o Bando da Lua em 1929, ainda adolescente, já sabia que seu futuro viria da música popular brasileira. Sua primeira e longa estadia nos Estados Unidos (1939-1956) não se restringiu à relação com Carmen Miranda, com quem teve un affair, e à direção do Bando da Lua. Trabalhou como narrador de documentários e dublador de desenhos animados (incluindo personagens como Capitão Gancho, do filme Peter Pan, e Zé Carioca, que, segundo dizem, foi criado conjuntamente por ele e Walt Disney). Construiu relações sólidas com o meio empresarial e artístico norte-americano, incluindo os donos de gravadoras que passavam a ser as multi-nacionais da música mundial. Mas nunca deixou de acompanhar e se integrar na evolução da música popular brasileira.
Ao voltar para o Brasil em 1956, após a morte de Carmen Miranda, atuou como diretor artístico de gravadoras internacionais como a Odeon e a Philips até fundar sua própria gravadora, a Elenco, em 1963, responsável por parte relevante da produção artística da Bossa Nova no Brasil. Em 1959, lançou o LP Chega de Saudade, de João Gilberto: o grande marco do gênero. Introduziu no mercado fonográfico vários compositores e artistas como Silvinha Teles (com quem casou), Edu Lôbo, Nara Leão, Nana Caymmi e Vinicius de Morais (como cantor). Albuns clássicos da Bossa Nova como “Vincius & Odete Lara”, “Caymmi Visita Tom”, “Vincius & Caymmi no Zum Zum”, “Edu & Bethânia”, “Maysa” (ao vivo no Au Bon Gourmet) foram produzidos pela Elenco sob sua direção.
Além de sua atividade empresarial, Aloysio manteve atividades artisticas como cantor, junto a Aurora Miranda e Vadeco na Rádio Mayrink Veiga, ainda nos anos cinquenta, e como compositor, nos anos sessenta, com canções célebres em parceria com Tom Jobim, como “Dindi”, “Só Tinha de Ser com Você”, “Inútil Paisagem”, “Eu Preciso de Você”, entre outras.
Embora não existam registros dos detalhes[1], o papel de Aloysio de Oliveira, com os contactos que tinha na industria do show-business e de gravação norte-americana foi fundamental na difusão da bossa nova nos Estados Unidos. Em 1968, quando a Elenco foi extinta, Aloysio voltou aos EUA, onde produziu vários discos de artistas brasileiros pela Warner.
Ao voltar ao Brasil em 1972, atuou como produtor musical em diversas gravadoras, como Odeon, RCA Victor e Som Livre, mas sempre serviu de ponte na difusão de artistas brasileiros nos Estados Unidos. Nos últimos anos de sua vida mudou-se para Los Angeles, onde morreu em 1995, aos 80 anos.
O Bando da Lua e Aloysio de Oliveira contam uma parte relevante da historia da difusão da bossa nova e da música brasileira nos Estados Unidos. Mas não explicam quais foram as cadeias de transmissão desse processo nos Estados Unidos e o enraizamento progressivo da bossa nova naquele país. É o que tentaremos investigar e contar para vocês nas próximas estórias.
[1] Alguns dos registros estão detalhados em sua auto-biografia intitulada “De Banda para a Lua”, publicada pela Editora Record em 1983.
André Medici
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